8. Sombreamentos Exteriores
Num edifício de habitação, as janelas são importantes, pois são o elemento que nos permite manter contacto visual com o mundo exterior, fornecem a entrada da luz natural de que precisamos para desempenhar as nossas actividades e porque, no Inverno, deixam entrar o calor da radiação solar que aquece as nossas casas enquanto que, no Verão, possibilitam a ventilação para eliminar algum do calor que não desejamos dentro de casa.
Como as janelas proporcionam uma relação mais directa com o exterior, é importante dotá-las de um elemento de protecção pelo exterior, elemento este que permite ao utilizador controlar as trocas energéticas com o exterior, tornando a relação mais ou menos directa. Assim, as janelas orientadas a Nascente, Sul e Poente devem ser munidas de sistemas de sombreamento exterior.
Sem perder qualquer das mais-valias que as janelas nos oferecem, os sistemas de sombreamento têm uma função primordial - a de cortar a incidência dos raios solares (quando estes não são desejados) antes de atravessarem o vidro - porque, uma vez atravessado o vidro, os raios solares que transportam o calor (a radiação térmica) alteram o seu comprimento de onda e não conseguem voltar a sair através do vidro, ficando detidos no espaço interior. Verifica-se, então, o fenómeno que conhecemos como Efeito de Estufa.
Existe, no mercado, uma grande variedade de elementos de protecção que são aplicados pelo exterior de vãos envidraçados, para reduzirem ou controlarem a incidência da radiação solar: palas, beirados, toldos, portadas, venezianas, persianas, estores de enrolar, estores metálicos orientáveis,... mas nem todos estes sistemas salvaguardam os aspectos qualitativos ou estéticos pretendidos.
Como especificadores de sistemas de sombreamento exterior, é muito importante que se avalie exactamente a função pretendida e que se conheça o contexto cultural e climático no qual estamos a intervir.
Aspectos a ter em consideração, na especificação do sistema de sombreamento exterior, tendo como objectivo controlar a quantidade da radiação solar que atinge os espaços interiores e optimizar o seu desempenho energético:
> O sistema escolhido deve proteger os vãos envidraçados da radiação indesejada, sem necessariamente alcançar a oclusão nocturna (“black-out”);
> O sistema seleccionado deve permitir uma boa ventilação natural (com a janela aberta), mesmo quando este se encontra descido e orientado na posição de sombrear;
> O sistema deve permitir que se goze a vista, mesmo quando se encontra descido e orientado na posição de sombrear;
> O sistema deve ser orientável para permitir vários graus de protecção da radiação solar, consoante a inclinação dos raios solares;
> O sistema deve ser facilmente operável, preferivelmente pelo interior;
> Para evitar que a radiação térmica captada pelo próprio elemento de sombreamento seja transmitida para o interior, é importante garantir uma distância suficiente entre o elemento de sombreamento e o vão envidraçado para que a ventilação natural possa realizar-se;
> A oclusão nocturna deve melhorar o coeficiente de transmissão térmica, contribuindo, no Inverno, para isolar termicamente a envolvente e reduzir as perdas de calor.
Aspectos a ter em consideração na especificação do sistema de sombreamento exterior, tendo como objectivo controlar a qualidade da iluminação natural que atinge os espaços interiores:
> O sistema especificado deve permitir controlar o nível de luminosidade que se pretende admitir para o interior da habitação, facilitando a criação de uma diversidade de atmosferas;
> O sistema pode ter uma função dupla - a parte superior das lâminas poderá reflectir a iluminação solar para o tecto do espaço, difundindo-a, fazendo com que chegue aos espaços mais recuados da habitação enquanto a parte inferior das lâminas poderá estar orientada de forma a obscurecer, para não criar zonas de reflexo nem brilho nas superfícies de trabalho;
> O sistema pode ter uma função dupla invertida - a parte superior das lâminas poderá obscurecer os espaços interiores e a parte inferior reflectir, de forma difusa, a radiação solar;
> Mesmo quando está previsto que a operação do sistema de sombreamento se faça manualmente, é importante efectuar, sempre que possível, uma pré-instalação para electrificar a sua operação no futuro e para comandar à distância, porque, durante a execução da obra, os custos de executar uma pré-instalação são ínfimos, quando comparados com a sua execução após o termo da obra.
O sistema de estores exteriores orientáveis para obscurecimento representa um sistema de sombreamento exterior que contempla todos os aspectos anteriormente referidos. O sistema é composto por lamelas em alumínio com aproximadamente 6, 8 ou 10 cm de largura, que deslizam em calhas laterais, comandadas de forma mecânica (manual) ou por um motor eléctrico. Para além de as subir (recolher) e baixar (descer), este sistema permite ainda orientar as lâminas de forma a excluírem a radiação indesejada, ventilarem os espaços interiores e deixarem ver o exterior. Reflecte até 80% dos raios solares e permite controlar a qualidade da iluminação natural no interior.
A variante deste sistema, que oferece a possibilidade de, simultaneamente, orientar as lâminas em dois ângulos diferentes, não só permite controlar a luz que entra mas, também, regulá-la. A parte superior e a parte inferior das lâminas são orientáveis de forma independente. Com estes estores é, por exemplo, possível fazer reflectir a iluminação natural para o tecto, transportando-a para as áreas mais recuadas dos espaços que habitamos.
Outra variante deste sistema é composta por lâminas exteriores orientáveis, porém fixas - que não recolhem. Este sistema de sombreamento exterior pode ser instalado na vertical, para proteger janelas orientadas para Poente, ou na horizontal, para proteger clarabóias.
Também as telas são uma solução a contemplar em situações onde não se possam integrar sistemas de estores exteriores orientáveis de obscurecimento. Embora ofereçam uma menor permeabilidade ao ar e à vista, quando se encontram em posição de obscurecimento, trazem o benefício de proteger do sol um maior volume de ar. Existem hoje sistemas verticais que deslizam num plano, entre calhas, paralelas à fachada ou ao corpo que sombreiam, e existem igualmente com braços projectantes - servindo efectivamente como toldos.
Sistemas de sombreamento, consoante a orientação solar:
Para especificar o sistema de sombreamento exterior adequado é importante compreender o comportamento do sol - que é muito fácil de seguir. O ângulo no qual o sol incide sobre a superfície da terra é totalmente previsível, embora varie consoante a hora do dia e a estação do ano.
CARACTERÍSTICAS A PROCURAR NUM SISTEMA DE SOMBREAMENTO EXTERIOR PARA VÃOS ENVIDRAÇADOS ORIENTADOS A SUL
Com um sistema de lâminas horizontais orientáveis é possível reflectir a radiação solar indesejada que incide sobre a fachada Sul entre os ângulos de 28 e de 75 graus, enquanto o privilégio de ver o panorama entre lâminas é mantido, porque o ângulo de visão é geralmente horizontal.
Quando é possível projectar para além do plano da fachada, as palas de sombreamento e os toldos revelam ser uma solução extremamente eficiente. Nos meses em que o sol está mais íngreme, estes sistemas de sombreamento protegem do sol um volume de ar que se mantém mais fresco, e proporciona, ao entrar na habitação, uma sensação de conforto. Também os sistemas com lâminas poderão ter este efeito, quando forem instaladas a uma maior distância da fachada com o vão envidraçado.
CARACTERÍSTICAS A PROCURAR NUM SISTEMA DE SOMBREAMENTO EXTERIOR PARA VÃOS ENVIDRAÇADOS ORIENTADOS A NASCENTE E A POENTE
O sol, a Nascente e a Poente, está sempre baixo, dado que, nessas orientações solares, nasce e se põe ao nível do horizonte. Assim, se pretendermos ver uma vista nessas orientações, ao mesmo tempo que eliminamos a incidência dos raios solares, idealmente, o sistema de sombreamento exterior deveria ser constituído por lâminas orientáveis na vertical. Lâminas horizontais orientáveis permitem reflectir também a radiação solar indesejada, havendo, neste caso, que prescindir da vista quando o sol se aproxima do horizonte.
Os vãos envidraçados orientados a Poente são, no nosso contexto climático, os que melhor poderão contribuir para o sobreaquecimento da habitação. Esta vulnerabilidade faz com que estes vãos tenham de usufruir do melhor sombreamento possível.
PREVENÇÃO E MANUTENÇÃO
Para facilitar a manutenção e limpeza, é essencial que, com as janelas abertas, o acesso ao sistema de sombreamento seja possível - idealmente a ambas as faces. É importante, quando o acesso à face exterior do sistema de sombreamento não é fácil ou directo, que seja possível desmontar-se aquela componente que carece de limpeza.
Os sistemas de sombreamento exteriores orientáveis devem ser regularmente operados (subidos e descidos, abertos e fechados), para que as suas partes móveis se mantenham a funcionar. No caso de estores exteriores com lâminas de alumínio orientáveis, é necessário fazê-los subir e descer regularmente, para, desta forma, garantir a flexibilidade das fitas e desobstruir as calhas através das guias das próprias lâminas. Sempre que a previsão da velocidade do vento seja superior a 44 km por hora, é importante manter recolhidos os estores de lâminas de alumínio, afim de garantir a sua protecção.
Conteúdo brevemente disponível.
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