18. Sistemas Solares Térmicos para Águas Quentes Sanitárias
O novo paradigma energético, que descentraliza a produção e transformação da energia, transforma todos os utilizadores de energia em potenciais produtores (ou transformadores) de energia. O primeiro passo, neste sentido, é a integração de sistemas solares térmicos em edifícios de habitação (novos ou a reabilitar), de acordo com a obrigatoriedade do Decreto- Lei 80/06 de 4 de Abril.
Esta nova regulamentação mudará o aspecto dos telhados e das coberturas dos edifícios habitacionais neste país, pelo que a sua integração adequada é de extrema relevância.
Trata-se de uma medida política corajosa que assenta no facto de Portugal ser, na Europa, o país com o maior número de horas de sol, este com elevada intensidade. Um sistema solar para aquecimento de águas quentes sanitárias, correctamente instalado numa habitação unifamiliar (com uma área de 1 m2 de painel solar por morador, contribui, anualmente, com aproximadamente 70% das necessidades energéticas para o aquecimento das suas águas quentes sanitárias, consumo que, de acordo com a Matriz Energética de Lisboa, corresponde a 25% do consumo de energia primária do sector doméstico (Matriz da Água de Lisboa 2004). Este consumo é muito elevado e resulta também do facto dos portugueses consumirem mais água (sobretudo quente) do que a maior parte dos países Europeus.
Os sistemas solares térmicos devem ser correctamente dimensionados, executados com precisão, bem instalados e operados de forma eficiente. Neste sentido, os sistemas devem ser concebidos, executados, instalados e operados por entidades com o “know how” necessário e com meios relevantes.
Os sistemas solares térmicos carecem sempre de uma fonte de energia que complemente ou substitua a energia solar apenas quando esta não esteja disponível - de noite e em dias encobertos. É extremamente importante que um sistema de aquecimento de águas quentes sanitárias dê prioridade à energia solar - e complemente com uma fonte de energia convencional (como o gás natural ou a electricidade) apenas a parcela não fornecida pela energia solar.
As soluções solares térmicas podem ser integradas em sistemas individuais ou em sistemas colectivos de água quente doméstica.
Num edifício com múltiplos apartamentos, o sistema solar térmico deve ser centralizado e ter o apoio de uma caldeira central a gás natural para alcançar uma eficiência ainda mais elevada ou poderá ter sistemas individuais de apoio, um por apartamento. Para além de fazer todo o sentido instalarem-se painéis solares térmicos em edifícios habitacionais, numa perspectiva de optimização do desempenho energético-ambiental, estes fazem também todo o sentido do ponto de vista económico, sendo os períodos de retorno do respectivo investimento muito atractivos. Quando não é possível integrar um sistema centralizado (conforme pode ser o caso na reabilitação de edifícios) existe a opção de se utilizar a cobertura do edifício para instalar sistemas individuais para abastecer cada um dos apartamentos, cuja caldeira ou esquentador pré-existente poderá passar a dar apoio apenas à água pré-aquecida pelo sol.
Os sistemas solares térmicos, disponíveis no mercado, são propostos com e sem depósitos em termossifão. Para integrar os sistemas é muito mais adequada a versão sem o depósito em mochila, porque pode ser integrada mais facilmente na própria cobertura, se esta possuir inclinação na orientação certa. A integração estética dos sistemas solares térmicos em coberturas é importante para todos os utilizadores mas, para as entidades licenciadoras, é de extremo interesse gerirem e protegerem o património construído, pelo que deverão disponibilizar guias que descrevam as formas de integração mais adequadas, tanto na reabilitação de edifícios como na construção nova.
Existem no mercado cinco tipos de colectores solares: absorsores de plástico, plano de circulação forçada, plano de termossifão, cilíndrico parabólico composto e tubos de vácuo.
A aplicação mais comum em edifícios de habitação unifamiliares é o colector plano de termossifão.
Multiplicar a instalação de sistemas solares térmicos em edifícios de habitação representa uma oportunidade extremamente importante para Portugal, na medida em que pode substituir uma parte considerável do seu consumo de energia no sector doméstico, utilizando uma energia endógena e renovável. Para além de renovável, a energia solar térmica é um recurso endógeno, ao contrário dos 85% da energia de origem fóssil e importada (Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética), que está a ser consumida neste país.
Ao instalar sistemas solares térmicos em edifícios está-se, assim, a contribuir para o enriquecimento dos utilizadores de cada sistema e também para o enriquecimento do país, a reduzir a dependência do abastecimento de energia importada e, (muito importante!), a reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera.
É o momento de se inverter a realidade Europeia actual, onde países como a Áustria, a Alemanha e a Grécia se podem orgulhar de ter 20 vezes mais painéis solares térmicos “per capita” do que Portugal. Enquanto esta oportunidade da integração de sistemas solares térmicos não for abraçada e massivamente alargada nas habitações, estamos a investir, sistematicamente, no nosso progressivo empobrecimento.
Com o recurso renovável do sol à disposição, mais do que em qualquer outro Estado Membro da Europa, é criminoso continuarmos a importar combustíveis fósseis com custos económicos, ambientais e sociais incomportáveis, para cumprir o papel que a energia solar consegue facilmente desempenhar.
Correctamente concebidos, instalados e operados, os sistemas solares térmicos contribuem sistematicamente para o nosso enriquecimento e para um melhor relacionamento com o ambiente e com a sociedade.
Conteúdo brevemente disponível.
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