21. Sistemas Fotovoltaicos de Fachada
O primeiro objectivo que devemos ter, quando intervimos no metabolismo energético da cidade é, sem qualquer dúvida, aumentar a eficiência energética do meio edificado e da mobilidade.
Devemos ao desenvolvimento tecnológico a nossa total dependência energética, mas também lhe devemos a oportunidade de recorrermos às energias renováveis para satisfazermos esta nossa dependência.
A energia do sol que incide sobre a cidade é, provavelmente, a principal fonte renovável à qual teremos acesso. E esta energia incide sobre todos os telhados, sobre as fachadas orientadas a Nascente, Sul e Poente, todas as ruas, praças e jardins... é uma energia à qual todos podemos aceder.
Estão em pleno desenvolvimento as tecnologias que nos permitem transformar essa energia do sol em electricidade, e a electricidade é, nos tempos em que vivemos, a forma de energia mais versátil. São as células fotovoltaicas, que nos permitem fazer essa transformação da energia solar em electricidade, que começam a entrar no vocabulário visual das nossas cidades e que representam certamente uma nova moeda, porque tornam possível o acesso a uma nova riqueza – riqueza que pode pertencer a todos.
Podemos colocar as células fotovoltaicas sobre os telhados, sobre toldos e guarda-sois, sobre candeeiros, nas mochilas dos nossos filhos, em T-shirts, em chapéus e em muitos outros equipamentos e utensílios que utilizamos no nosso quotidiano.
Neste contexto colocamos enfoque nas células fotovoltaicas que podemos integrar nas fachadas de edifícios.
As células fotovoltaicas são integradas em elementos construtivos constituídos por vidro e caixilharia de alumínio, e podem servir de sombreamento, de janela ou de elemento decorativo nas fachadas de edifícios. É importante que a área em que estão integradas as células não sofra sombras projectadas, uma vez que é apenas a incidência dos raios solares que desencadeia o processo e resulta numa corrente eléctrica.
É importante adequarmos a electricidade produzida aos usos que nela se vão abastecer... ou seja: não faz sentido tentarmos alimentar uma lâmpada incandescente através de um sistema fotovoltaico porque a quantidade de electricidade produzida é pequena e carece de ser aproveitada por equipamentos extremamente eficientes.
Faz sentido, sim, utilizar esta energia produzida para alimentar ópticas LED (light emitting diode) e outros equipamentos extremamente eficientes, já disponíveis no mercado.
Também não faz sentido, um edifício todo de vidro (que passa o inverno a aquecer o todo o resto do ano a arrefecer... a não ser que o vidro seja tão evoluído que tenha um desempenho de parede) ser munido de uma fachada com células fotovoltaicas – o contributo das células é eliminado através do consumo exorbitante do próprio edifício.
Se temos acesso a fontes de energia renováveis precisamos de utilizar a energia resultante em edifícios, em sistemas e em equipamentos extremamente eficientes.
Portugal é um dos países na Europa com mais horas de sol! Logo que tivermos em consideração que o sol é uma fonte de riqueza e nos preparemos para a transformar também em riqueza económica, estaremos entre os países mais ricos da Europa.
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