34. Sistemas de Reciclagem de Águas da Chuva
Como recurso extremamente precioso para a sobrevivência das espécies e para a qualidade de vida das pessoas, a água própria para consumo humano deve ser utilizada apenas para as funções que carecem de todas as suas qualidades.
No entanto, hoje em dia, a água potável é utilizada para usos que devem ser satisfeitos por uma água que pode ter uma qualidade inferior.
A água potável que utilizamos deve ser reciclada e reutilizada e, também, toda a água da chuva que cai nas coberturas dos edifícios, deve ser recolhida em depósitos e, com o devido tratamento, reutilizada para as funções que não carecem de água potável.
Como se pode observar num dos mapas que ilustra a introdução deste livro, Portugal é um país rico no recurso chuva que, para além de restabelecer os níveis de água nas reservas, enche as barragens e é também utilizada para a produção de electricidade.
Hoje existem no mercado tecnologias relevantes para produzir água reciclada a partir de água da chuva, água esta que, ao ser regenerada, pode satisfazer os usos que não carecem de água potável. Existem já muitos sistemas disponíveis no mercado para reciclagem de águas da chuva que estão homologados.
Como a água potável é um recurso escasso, e considerando que seremos um número sempre maior a partilhar este recurso, torna-se muito importante implementar todos os sistemas de regeneração e de reciclagem de águas da chuva, passíveis de serem integrados em contextos urbanos.
A água pode ser regenerada, reciclada, reutilizada e alcançar um grau de qualidade que pode satisfazer muitas das necessidades quotidianas, uma vez que nem todas obrigam à escolha de água potável.
Os usos que não carecem de ser fornecidos como água potável são os seguintes:
> Rega de espaços verdes ajardinados;
> Lavagem de espaços exteriores e veículos;
> Descarga em sanitas;
> Lavagem de loiça e roupa à máquina de lavar loiça e roupa.
Esta água reciclada não é, de forma alguma, nociva à saúde humana, porque os sistemas de reciclagem, na sua última fase de tratamento, devem garantir a eliminação de bactérias.
Nas nossas habitações devemos, por isso, ter dois abastecimentos de água distintos, com contadores individuais. Um será para a água potável e o outro para a água reciclada.
As redes nunca se deverão cruzar, dado que não deverá realizar-se a contaminação da rede de água potável.
Na óptica da gestão da oferta é importante implementar sistemas de aproveitamento de águas da chuva (com recolha nas coberturas), através da instalação de um sistema de reciclagem, em fase de projecto e de construção ou reabilitação, podem contribuir para reduzir consideravelmente a procura de água potável nas nossas habitações.
A recolha de águas pluviais em reservatórios também contribui para atenuar o impacto de grandes precipitações, o que é importante nas cidades, onde grande parte da superfície está impermeabilizada e não tem capacidade para absorver, nem temporariamente, uma maior quantidade de chuva.
A implicação principal de qualquer sistema de reciclagem de águas da chuva é a construção de reservatórios, capazes de armazenar a quantidade de água a reciclar, podendo estes, na sua maioria, ser subterrâneos.
Um depósito, onde a água é regenerada com o contributo da atmosfera e da radiação solar, poderá permanecer à vista e tornar-se um valor estético acrescentado para qualquer empreendimento.
A legislação e regulamentação nacional estão a ser adaptadas para permitir a implementação, de forma alargada, de sistemas de reciclagem de águas pluviais.
Conteúdo brevemente disponível.
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