1. Sistemas de Isolamento Térmico Aplicados Pelo Exterior
Em Portugal o isolamento térmico é utilizado na construção de edifícios desde a década de 1950 e é uma componente essencial para o bom desempenho energético dos edifícios.
Obrigatório no sector da construção desde 1991, com a entrada em vigor do primeiro Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE) o isolamento térmico tanto pode ser aplicado pelo interior das paredes da envolvente de um edifício, como colocado na caixa-de-ar entre paredes duplas, como ainda ser assente pelo exterior de um edifício. Tem utilidade em qualquer destas aplicações, mas é sobretudo numa, aquela pelo exterior do edifício, que o isolamento térmico tem a maior eficácia.
Um sistema de isolamento térmico com características técnicas e espessura adequadas, aplicado de forma contínua e pelo exterior dos edifícios (pavimento térreo, paredes envolventes e coberturas), contribui mais para a optimização do desempenho energético de um edifício, do que qualquer outro sistema equiparável.
O Isolamento Térmico, aplicado de modo contínuo e pelo exterior, apresenta as seguintes vantagens:
1) É conseguida a eliminação de todas as pontes térmicas, que causam o aparecimento de condensações e, consequentemente, de fungos em paredes interiores (ou em compartimentos fechados), devendo, tanto o projecto como a execução, garantir a continuidade efectiva do isolamento térmico;
2) É improvável uma má execução, ou seja, “esquecer” a colocação de placas, como tão frequentemente acontece quando o isolamento térmico se encontra escondido entre dois panos de tijolo (parede dupla), uma vez que todo o isolamento térmico aplicado pelo exterior permanece visível durante a sua aplicação em obra, facilitando a sua fiscalização;
3) A estrutura do edifício e todos os materiais pesados que compõem a envolvente são protegidos dos contrastes e extremos de temperatura e das intempéries. Esta protecção garante uma maior longevidade e a integridade física dos materiais fundamentais, porque, desta forma, não sofrem nem a fendilhação nem as microfissuras típicas em toda a construção tradicional. Evita-se, assim, que estas microfissuras absorvam água por acção capilar, água que deteriora os materiais, sobretudo os metais;
4) O isolamento térmico, aplicado de forma contínua e pelo exterior, faz com que a inércia térmica (dos materiais pesados utilizados na construção) funcione a favor do clima interior, contribuindo para que as temperaturas no edifício se mantenham estáveis e dentro das amplitudes térmicas médias do clima mediterrânico. Este comportamento resulta do facto das envolventes (paredes exteriores) não permanecerem em contacto directo com o exterior, estabilizando as temperaturas no seu valor médio. Com ambas as medidas (o isolamento térmico aplicado de forma contínua pelo exterior e a inércia térmica), os extremos do clima mediterrânico não afectam o equilíbrio térmico no interior do edifício;
5) Estes sistemas de isolamento térmico pelo exterior podem ser igualmente aplicados na reabilitação de edifícios que não possuam nenhum ou insuficiente isolamento térmico. Sendo o sistema aplicado pelo exterior, é apenas necessário garantir que o mesmo adira permanentemente à superfície exterior existente e cuidar dos pormenores construtivos em volta de vãos, nas cimalhas e beirados;
6) O aspecto com que ficará, poderá ser aquele que se desejar - com acabamento em reboco pintado (em qualquer cor), de revestimento em pedra (colada ou fixada mecanicamente), de tijoleira de burro...
7) O Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE) revisto, Decreto-Lei 80/06 de 4 de Abril, contempla a contribuição das pontes térmicas para o balanço energético negativo do edifício e obriga a soluções que minimizem as pontes térmicas, como é conseguido pelos sistemas de isolamento térmico aplicados de forma contínua e pelo exterior.
Existindo no mercado diversos sistemas de isolamento térmico que se aplicam pelo exterior, é importante salvaguardar as seguintes características que variam conforme o sistema, e aconselhar-se com o projectista a quem cabe especificar o sistema. Este, por sua vez, obtém as garantias do fornecedor:
> O isolamento térmico utilizado (poderá ser poliestireno expandido - mais conhecido por esferovite - ou lãs de rocha, cortiça...) deverá possuir as características adequadas, incluindo as da sua durabilidade, as características isolantes e a espessura correcta para o contexto específico;
> O revestimento do sistema de isolamento térmico, aplicado de forma contínua pelo exterior, deverá garantir a permeabilidade ao vapor e a impermeabilidade à água – isto significa que não deve criar barreira à troca gasosa, mas deve criar barreira à entrada de água líquida - o que, normalmente, fica assegurado sempre que a composição do revestimento exterior tenha base acrílica;
> No revestimento existirá sempre uma camada de protecção mecânica (isto porque qualquer dos materiais é relativamente resiliente), camada esta que terá que ser adequada à situação específica do edifício. A protecção mecânica das argamassas, inclui uma tela tecida de vidro através de cuja gramagem múltipla oferece vários graus de resistência;
> Para evitar que seja necessário pintar frequentemente o edifício, é importante diminuir a textura do acabamento exterior final (tornando a superfície o mais lisa possível), sobretudo em zonas com maior teor de humidade, tendo, nessas condições, especificado que, ao revestimento final, sejam adicionados mais fungicidas e algicidas.
APLICAÇÃO DO SISTEMA
Passo 1: Sobre a face exterior da parede desempenada e limpa são coladas, por pontos de argamassa, as placas de Poliestireno Expandido com marca CE, EPS60 não inflamável (mais conhecido como Esferovite), com um mínimo de 60mm de espessura (sendo a sua especificação da responsabilidade do Engenheiro de Térmica), para revestir pelo exterior as paredes da envolvente do edifício na totalidade, de forma a criar uma superfície contínua, plana e homogénea;
Passo 2: Em todas as arestas são assentes cantoneiras em PVC com abas em tela tecida de vidro, para aumentar a resistência mecânica e uma melhor definição dos ângulos;
Passo 3: Sobre a superfície das placas de Poliestireno Expandido é aplicada uma tela tecida de vidro com 150g/m2 e tratamento antialcalino (que se sobrepõe às abas da cantoneira), embebida numa primeira camada de argamassa acrílica e recoberta com uma segunda camada da mesma argamassa, para garantir uma adequada resistência aos impactos mecânicos correntes, podendo ser aplicada, nesta fase, uma segunda tela com 200 ou 560 g/m2, conforme o nível de resistência ao impacto que se pretenda;
Passo 4: Sobre a última camada de primário acrílico são aplicadas duas demãos de revestimento acrílico de composição complexa (podendo a segunda demão ser pigmentada), para resistir às agressões ambientais típicas, como são a radiação ultravioleta, a chuva batida e os fungos e algas.
Alternativa ao Passo 4: Sobre o primário podem ser aplicados revestimentos rígidos, como a tijoleira de burro e mosaicos cerâmicos (ambos aplicados com cola), pedras naturais (aplicado com cola ou com sistema de fixação mecânico de suporte), sistemas metálicos ou fachadas ventiladas.
QUANTIFICAÇÃO DO IMPACTO DA MEDIDA; ISOLAMENTO TÉRMICO APLICADO DE FORMA CONTÍNUA E PELO EXTERIOR
O Isolamento Térmico aplicado em contínuo pelo exterior garante elevados níveis de conforto no interior.
A capacidade de isolamento térmico de um elemento da envolvente de um edifício (fachada, cobertura ou pavimento) é traduzida pelo respectivo “coeficiente de transmissão térmica”. Quanto maior for este coeficiente menos capacidade de isolamento terá o elemento.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS DO SISTEMA DE ISOLAMENTO TÉRMICO EXTERIOR
Fornecimento e colocação de sistema de isolamento térmico pelo exterior (tipo “ETICS” ou “EIFS”) composto por Poliestireno Expandido M1 (não inflamável) tipo EPS 60 (15 kg/m3) a colar por pontos ao suporte; Tela tecida de vidro com 150 g/m2 a estender em toda a superfície opaca - com ourelas sobrepostas - entre duas camadas de primário;
Cantoneira em PVC com 200 mm de abas acopladas em tela tecida de vidro, a contornar todos os vãos e cunhais;
Argamassas com origem no mesmo fabricante para garantir a compatibilidade: um Primário acrílico para a colagem por pontos e os barramentos em camada dupla e um revestimento acrílico em duas camadas, com a pigmentação escolhida a ser incorporada na camada final. As placas terão, pelo menos, 60 mm de espessura, conforme definido em desenhos de pormenor ou equivalente. Incluem todos os trabalhos e fornecimentos necessários para um perfeito acabamento, sempre de acordo com as indicações do projecto.
MANUTENÇÃO
É necessário proceder, tal como em todos os materiais, à manutenção adequada do isolamento exterior para que este possa desempenhar o papel para o qual foi especificado. No caso destes sistemas, a única manutenção que se recomenda é a lavagem à pressão ou a pintura (embora esta nem sempre seja necessária). A pintura de um sistema de isolamento térmico, aplicado de forma contínua e pelo exterior, deve sempre ser aquela recomendada pelo fabricante (eventualmente passando pela aplicação de uma demão do revestimento do próprio sistema). Porém, optando por uma pintura com tinta, é de extrema importância que a tinta seja permeável ao vapor.
Conteúdo brevemente disponível.
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