11. Sistemas de Gestão do Consumo e de Monitorização Contínua
É durante a sua vida útil - a fase em que são habitados – que os edifícios consomem mais de um terço da energia transformada na Europa, em média, na ordem dos 40%, mais do que o sector dos transportes e do que o sector da indústria!
É igualmente durante a sua utilização que os edifícios promovem ou criam obstáculos à qualidade de vida das pessoas, na medida em que facilitam ou dificultam um conjunto de actividades importantes para o seu próprio bem-estar e para o da comunidade.
Para além do conforto ambiental e da optimização da procura de energia, é na concepção e reabilitação de edifícios que podem ser integradas as medidas que vão facilitar as boas práticas dos utilizadores durante a vida útil dos edifícios, nomeadamente a separação correcta e sistemática dos resíduos, a interacção positiva com a comunidade à qual pertence e a utilização racional de recursos. É neste contexto que a integração de sistemas de gestão de energia se torna relevante, porque permite que exista um maior controlo da quantidade de recursos energéticos utilizados e da forma como são utilizados, permitindo, deste modo, acompanhar e determinar os resultados do desempenho energético dos edifícios (novos ou reabilitados).
Os sistemas de gestão de energia permitem controlar os resultados de desempenho energético dos edifícios, mas também potenciam bons comportamentos, na medida em que tornam perceptível a quantificação dos fluxos energéticos contabilizados. Esta quantificação precisa de ser associada a metas de desempenho para poder distinguir o bom do mau desempenho e pode tornar-se, por si só, um instrumento motivador para que os utilizadores contribuam para a optimização do desempenho energético do edifício em que habitam. Para que os utilizadores finais colaborem é, no entanto, necessário que se identifiquem com as metas de desempenho estabelecidas, que devem ser consensuais. A comunicação das metas de desempenho e a integração da expressão individual e colectiva dos utilizadores nestas metas, que servirão de referência para o bom desempenho, fará com que as mesmas possam influenciar todos os actos regulares que decorrem da rotina diária dos habitantes de um edifício.
Para que os habitantes possam proceder a uma optimização da energia que utilizam é necessário que os utilizadores disponham da informação relevante em tempo útil, pelo que será importante proceder-se a uma monitorização contínua dos consumos energéticos e de água. Os dados devem ser tão perceptíveis quanto possível e desagregados de forma a permitir acções correctivas. Existem, hoje em dia, tecnologias e aplicações baseadas na Internet, que possibilitam que de uma forma económica se faça a gestão e a monitorização contínua dos consumos de energia e de água. Toda a informação resultante poderá ficar alojada de uma forma segura em servidores, os quais também podem conter ferramentas de controlo e de análise energética.
Para facilitar as boas práticas é também importante disponibilizar Manuais de Utilização a cada utilizador e aos gestores do condomínio, bem como aos prestadores de Serviços de Energia.
A gestão de energia torna-se mais relevante quando se instala o novo paradigma energético - a descentralização da produção / transformação de energia / microgeração. Com a instalação de sistemas de energias renováveis, as fontes de energia são mais diversificadas e o contributo das energias renováveis para o “mix” energético consumido no edifício deve ser controlado e optimizado. Esta optimização resulta, sobretudo, da boa concepção e execução dos sistemas sendo importante, perante tecnologias ainda recentes, uma monitorização e estão contínuas, de modo a evitar, ao máximo, o recurso a energias não renováveis.
Para motivar as boas práticas durante a vida de um edifício, a expressão ideal dos sistemas de gestão de energia e da monitorização contínua é a presença de um “display” dinâmico no hall de entrada de cada edifício, que comunica, de forma didáctica, o equilíbrio entre a oferta e a procura de energia no edifício, comparando-o com o objectivo de desempenho optimizado, mas que também indica quais as práticas à escala doméstica que carecem de melhoria. Na habitação, o ideal é que também exista um “display” dinâmico que permita a boa gestão dos consumos domésticos, que adapte a procura à oferta de energia e optimize, deste modo, a utilização das energias renováveis, quer produzidas quer transformadas e disponíveis no mesmo edifício.
A utilização da energia da rede, predominantemente proveniente de fontes de combustíveis fósseis, deve ser minimizada porque implica sempre poluição, para além do facto dos respectivos custos reais da dimensão ambiental não serem internalizados no modelo económico que rege o funcionamento da sociedade. A escolha da fonte de energia que abastece cada utilização torna-se apenas possível através de sistemas de gestão de energia e de uma monitorização contínua da oferta disponível e da procura.
Os parâmetros de monitorização contínua (com expressão em tempo real) ultrapassam os fluxos energéticos e incluem os demais recursos que utilizamos nas nossas habitações:
> As condições climáticas exteriores que medem a temperatura de bolbo seco, a humidade relativa e a radiação solar global horizontal - Estações Meteorológicas (Instituto de Meteorologia) e Centros de Monitorização Ambiental;
> As condições ambientais interiores nas habitações que medem a temperatura de bolbo seco, a humidade relativa, os níveis de iluminação natural - Data Loggers, Luxímetros;
> Tomando em consideração as condições de funcionamento específicas, é medido o consumo de energia eléctrica, de gás, de energia térmica associado ao aquecimento ambiente e de consumo de energia térmica associado à utilização de água quente doméstica - contadores de electricidade, de gás, de entalpia;
> O contributo de todas as energias renováveis instaladas no edifício - contadores de electricidade e de entalpia;
> O consumo de água potável fria - contadores de água de consumo;
> O consumo de água quente doméstica - contadores de água de consumo;
> O consumo de água reciclada (reutilizada) - contadores de água de consumo.
Com base nos dados medidos é possível aferir, de forma contínua, o desempenho energético ambiental dos edifícios habitados em operação. Para optimizar o desempenho energético-ambiental dos edifícios habitacionais (novos e a reabilitar) é muito importante que, após a implementação de todas as medidas que promovem a máxima eficiência, sejam incorporados os sistemas de gestão de energia que permitam optimizar o desempenho do edifício durante a sua operação.
É ainda possível introduzir sistemas de controlo que simplificam e tornam mais eficiente a gestão dos recursos (energia e água), podendo estes ser mais ou menos automatizados. Por um lado, a introdução de um interruptor no quadro eléctrico, que desliga todos os circuitos que não aqueles que não precisam de ficar ligados enquanto não se está em casa, permite que à saída, com um simples gesto, se elimine todo o consumo desnecessário. Por outro lado, e sobretudo edifícios que dependem do consumo de energia para garantir condições estáveis de conforto térmico durante o ano, existem também os sistemas de domótica que, quando bem concebidos e implementados, facilitam uma gestão eficiente dos recursos.
Os sistemas de domótica permitem o acompanhamento da evolução do conforto térmico de acordo com a efectiva utilização da habitação, podendo ser programados horários e temperaturas de conforto distintas para cada espaço e podem actuar sobre os circuitos de iluminação e também sobre estores eléctricos, caso existam, de modo a controlar os ganhos energéticos através da radiação solar.
Conteúdo brevemente disponível.
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