30. Permeabilidade das Superfícies em contacto com o Ar Interior
É muito importante que todos os edifícios, mesmo sem vãos abertos, possam “respirar” implicando este aspecto que a envolvente construída permita a saída do vapor do interior para o exterior. Para além da permeabilidade ao vapor dos sistemas construtivos empregues na envolvente de edifícios - o estuque, o betão, os tijolos, os rebocos, os isolamentos térmicos - torna-se crítica a qualidade das tintas utilizadas no interior e no exterior dos edifícios.
É igualmente importante garantir que a maior proporção das paredes e tectos tenham capacidade para interagir (absorver e devolver) com parte da humidade que se encontra suspensa no ar, resultante de actividades humanas (a respiração, a evaporação da transpiração, todas as actividades relacionadas com água, como o processo de cozinhar ou tomar duche...).
As tintas que revestem as paredes e os tectos na totalidade devem ser extremamente permeáveis ao vapor e permitir uma interacção com a humidade suspensa no ar. A capacidade das superfícies para absorverem num curto espaço de tempo uma parte da humidade excessiva, gerada no momento, é especialmente conveniente nas zonas “húmidas” da habitação (cozinhas e casas de banho), sendo esta humidade imediatamente devolvida ao ar, quando dissipa a humidade excessiva.
Toda a humidade suspensa no ar, quando entra em contacto com uma superfície impermeável e mais fria (espelho, pedra ou revestimentos cerâmicos) condensa e forma gotas de água, que, apenas sob temperaturas muito elevadas, poderiam novamente voltar à forma de vapor de água, suspenso no ar. Como estas temperaturas não são atingidas, as gotas de água escorrem pelas superfícies mais frias e deixam um rasto que obriga à limpeza regular. Quando a limpeza das superfícies impermeáveis não é efectuada com regularidade, a humidade pode ser responsabilizada pelo aparecimento de fungos, cujas esporas poluem o ar e são a causa de muitas doenças contemporâneas.
É, por este motivo, muito importante manter-se um bom equilíbrio entre superfícies permeáveis e superfícies impermeáveis, especialmente em casas de banho e cozinhas, para optimizar a qualidade do ar e minimizar a necessidade de manutenção.
Paredes estucadas e pintadas com a tinta adequada e também paredes em tijolo cru, têm a capacidade de absorver odores.
O QUE EVITAR
Quaisquer tintas aplicadas sobre superfícies verticais (interiores ou exteriores) que criem uma barreira ao vapor são a principal causa de condensações, do aparecimento de humidades e de fungos. É um erro crasso considerar as tintas “impermeabilizantes” como a solução para eliminar humidades no interior da habitação. Quem as recomenda, esquece que, quotidianamente, devido às actividades humanas, é gerado um considerável volume de água no interior da habitação que, ao impermeabilizar as paredes exteriores, fica retido no interior.
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