25. Microgeração de Energia (Renováveis na Hora)
As energias renováveis no planeta são infinitas mas estão distribuídas de uma forma desigual - Portugal é um país extremamente rico em recursos renováveis e, se os souber utilizar melhor, usufruirá sempre mais dessa riqueza.
A energia solar, a energia eólica e a energia geotérmica, disponíveis em Portugal, um pouco por todo o lado, revelam-se uma riqueza que pode ser captada e transformada, também por todo o lado, desde que a rede de abastecimento de energia tenha a capacidade e disponibilidade para absorver o que o próprio utilizador-produtor não utilize na hora.
Para todos podermos participar na descentralização da oferta de energia, precisamos apenas de aproveitar o acesso que temos às energias renováveis e de instalar sistemas que captem e transformem essas energias para converter a energia solar, eólica, geotérmica e de biomassa em electricidade ou em energia térmica. A electricidade proveniente de energias renováveis deverá ser aproveitada, em primeiro lugar, no próprio edifício em que é transformada para usos que sejam mais compatíveis com as características e com a capacidade do sistema instalado. Quanto mais directa for a utilização da energia renovável, transformada em electricidade, maior será a eficiência e maiores serão também os benefícios associados ao correspondente investimento.
As tecnologias relevantes para transformar as energias renováveis em energia que se possa utilizar no meio edificado são recentes e carecem de cuidados específicos na sua instalação e operação para que funcionem de forma eficiente, pelo que é importante que se promova a instalação de sistemas de energias renováveis com outros parceiros, idóneos e competentes. É certo que o desenvolvimento tecnológico colocou no mercado, à disposição de todos, uma variedade de sistemas capazes de produzirem calor e electricidade a partir de fontes de energias renováveis. Enquanto, presentemente, os recursos ainda nos são fornecidos e medidos por unidade de consumo, muito em breve as Concessionárias irão prestar aqueles serviços de energia e de água de que verdadeiramente precisamos, e a qualidade do serviço prestado irá aferir o sucesso e relacionamento com o Utilizador Final. No rumo de melhorar o desempenho energético-ambiental das cidades, as Concessionárias tornam-se um parceiro estratégico, pelo que é importante que as mesmas se tornem também 'parceiras promocionais', vocacionadas para alcançar a optimização do desempenho dos edifícios (novos e a reabilitar), porque, deste modo, irão nascer novas áreas de negócio que, com o objectivo de melhorar o serviço prestado, poderão, simultaneamente, melhorar o desempenho energético-ambiental do meio edificado da cidade.
Sem qualquer alteração do “core business” das Concessionárias, a parceria com as mesmas passa pela instalação e operação de sistemas de energias renováveis e de equipamentos associados ao serviço por prestar aos utilizadores. Em edifícios existentes, sujeitos a intervenções de reabilitação, o papel das Concessionárias poderá significar investirem em medidas de eficiência energética, ao abrigo de contratos de prestação de serviços de energia. Entretanto, proporciona-se igualmente uma importante intervenção das
Concessionárias no âmbito do licenciamento de projectos de edifícios ou de empreendimentos, permitindo-lhes antecipar e melhorar as condições de fornecimento de energia.
O desafio tecnológico encontra-se agora com capacidade de interacção entre a rede de abastecimento e a procura doméstica, além da gestão inteligente dos consumos, para conseguir incorporar na rede de abastecimento toda aquela energia proveniente de fontes renováveis, que não se torne necessária no momento e no próprio edifício em que é produzida.
Além de minimizados, os consumos - conforme refere o Professor Eduardo de Oliveira Fernandes: “tudo o que não é eficiência é poluição” e “o kilowatt mais barato é aquele de que nem precisamos” - devem ser geridos de forma a que os picos sejam minimizados (“smoothing”) e que a utilização da energia disponível na rede de abastecimento seja optimizada.
Salvo excepções, a máquina de lavar roupa ou loiça, pronta para iniciar um ciclo de lavagem, poderá arrancar quando a rede de abastecimento de energia tiver disponibilidade, em vez do momento em que nos vamos deitar, sempre que o ciclo fique terminado antes de nos levantarmos de manhã. O mesmo acontece com o frigorífico num ciclo temporal mais curto, sem que coloque em risco a salubridade dos alimentos nele armazenados, e que arranca quando a rede de abastecimento de energia tem disponibilidade.
Cuidados a ter na especificação de sistemas que transformam energias renováveis:
Os sistemas solares urbanos, fotovoltáicos como eólicos, devem ser dimensionados de um modo adequado e correctamente executados. Neste sentido, os sistemas precisam de ser concebidos e instalados por entidades com “know-how” e com meios relevantes - tanto as entidades responsáveis pelos projectos, como as responsáveis pela execução.
Entre os sistemas passíveis de serem integrados no meio edificado, encontram-se os sistemas híbridos que integram para a climatização, por exemplo, o fotovoltáico com o eólico urbano, os sistemas geotérmicos e de energia de biomassa.
Estes sistemas transformam a energia renovável endógena em energia que se revela útil no dia-a-dia.
Conteúdo brevemente disponível.
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