36. Materiais Locais
O consumidor final decide quais os produtos que compra, em função do que o mercado lhe coloca à disposição e em função da informação que tem ao seu dispor.
Cada acto de compra é a nossa expressão de poder individual mais directa, e é interpretada como o nosso desejo em relação à forma como o mercado se deve transformar. É por este motivo importante que como consumidores estejamos tão informados quanto possível sobre os produtos que compramos e consumimos. Para além do custo de aquisição, a informação que devemos exigir deve abranger a origem do produto, os seus impactos energético-ambientais e sociais durante o seu fabrico e ao logo da sua vida útil, os efeitos sobre a nossa saúde e os impactos relacionados com o seu fim de vida.
Todos os produtos úteis com impactos positivos que possam ter uma longevidade maior, contribuem para reduzir as pressões ambientais.
Da mesma forma em que as cidades concentram as pressões ambientais associadas aos demais consumos, também o consumo de materiais resultam em consideráveis pressões ambientais. Por um lado, para fazer chegar os bens de consumo às cidades, as emissões de CO2eq para a atmosfera, associadas ao transporte de mercadorias, por exemplo em Lisboa, atingem quase 50% das emissões associadas aos transportes rodoviários, isto é, aproximadamente um quinto das toneladas de CO2eq emitidas, neste exemplo de Lisboa, todos os anos.
Tendo ainda em conta o exemplo de Lisboa e contabilizando as unidades físicas de material que entra na cidade, verifica-se que uma grande parte está destinada a permanecer durante mais de 11 anos e a contribuir para aumentar e consolidar o meio edificado. Estes materiais acumulados na cidade – em edifícios e em infra-estruturas - se forem adequadamente utilizados, vão contribuir, ao longo de muitos anos, para o bem-estar das pessoas, pelo que, neste âmbito não se torna necessário reduzir ao mínimo as necessidades materiais, sobretudo se tivermos em consideração que o contexto climático português requer uma elevada inércia térmica (materiais pesados) para poder acumular e transmitir para o interior dos edifícios calor em temperaturas consideradas confortáveis.
A importância das decisões tomadas aquando da concepção inicial reflecte-se, por um lado, no custo da construção (pelo que é nesta fase que devem ser tidas em conta todas as condicionantes que definem o edifício e devem ser convidados a participar todos os especialistas) e, por outro lado, no impacto ambiental dos edifícios. É na concepção dos edifícios que se deve especificar a origem dos materiais de construção, que se deve determinar o respectivo impacto ambiental e que os conhecimentos individuais de todos os elementos da equipa projectista devem contribuir para a optimização do desempenho energético-ambiental do edifício, bem como para a minimização do respectivo custo de construção.
A especificação de materiais locais tem como principal benefício energético-ambiental a redução das emissões de CO2eq para a atmosfera, associadas ao transporte de mercadorias. Existem dois parâmetros generalizados para quantificar esta medida de eficiência – o dos 50 km de distância e o dos 100 km de distância entre a origem do material e o local em que é instalado ou integrado no edifício.
Conteúdo brevemente disponível.
Conteúdo brevemente disponível.



