39. Materiais a Reintegrar na Tecnosfera
Os edifícios devem contribuir para promover a reutilização e reciclagem de produtos em fim de vida. Por um lado todos os resíduos associados ao processo de construção deverão ser minimizados, o que terá efeitos muito positivos também do ponto de vista económico. Por outro lado, o meio edificado deve dispor de espaços a várias escalas (privada, colectiva e pública) que facilitem aos utilizadores dar o seu melhor contributo para os processos de valorização de resíduos.
Para além de emissões lançadas para a atmosfera e de efluentes líquidos, na cidade o consumo de materiais resulta na produção de resíduos sólidos, que devem ser reduzidos, reutilizados, reciclados e valorizados. Numa sociedade sustentável, todos os materiais que entram na cidade deverão contribuir para o seu crescimento e todos os resíduos devem ser valorizados. Alguma da valorização necessária poderá acontecer à escala local e outra a uma escala mais alargada.
Existem duas fileiras para a valorização de resíduos sólidos – uma é a biosfera e a outra a tecnosfera.
Os resíduos produzidos pelo sector da construção devem, na sua grande maioria ser integrados na fileira da tecnosfera, tratando-se de quantidades consideráveis e possuindo um enorme potencial de redução, dado que a sua valorização já pode ser integrada nos próprios processos de fabrico. Neste contexto o resíduo deve ser sempre contemplado como um ingrediente de um futuro processo de produção de outro material ou produto.
No sector da construção existem restrições muito exigentes em relação à integração de resíduos na tecnosfera, com o objectivo de alcançar um ponto em que já não haja resíduos a eliminar, apenas a reutilizar e a reciclar.
Mas uma vez construídos os edifícios, quando são habitacionais, tornam-se relevantes sobretudo os resíduos que resultam dos produtos alimentares e dos bens de consumo em fim de vida (equipamentos eléctricos e electrónicos, entre outros) que podem ser optimizados através do comportamento das pessoas. Para que o metabolismo das nossas cidades se torne mais eficiente, é importante que todos contribuam com boas práticas.
A forma como as pessoas dispõem de todos os resíduos sólidos produzidos deve ser a mais adequada para facilitar a respectiva valorização. Por um lado, as pessoas devem ser exigentes na procura, consumir apenas o que lhes é necessário e evitar consumir o que não precisam, devem escolher produtos com um impacto ambiental reduzido. Por outro lado, devem separar os resíduos para que sejam facilmente reutilizados ou reciclados.
No meio edificado é, por isso, relevante que existam pontos de recolha de produtos para reutilização, pontos de recolha de resíduos sólidos biodegradáveis e pontos de recolha de produtos em fim de vida para reciclagem, diferenciando os recicláveis (metal, plástico, vidro e papel e cartão) por fileira de produto.
Tornar prática comum e sistemática a separação de resíduos sólidos domésticos, potenciando a respectiva reciclagem, é um acto de responsabilidade social que parte de cada família e de cada indivíduo.
Quando o sistema de recolha é realizado através de uma infra-estrutura urbana, como uma rede de recolha por vácuo, existem outros benefícios associados, como a redução de ruído no acto da recolha e um grau de higiene mais elevado.
Por consequência do desenvolvimento tecnológico que permite transformar resíduos em matéria-prima para novos processos produtivos, as grandes indústrias que produzem os bens que consumimos estão a implementar processos cada dia mais eficientes.
São os padrões de utilização de materiais, que resultam do comportamento das pessoas, que precisam de melhorar consideravelmente. Na gestão do ciclo de materiais nas nossas cidades, o grande desafio são todos os pequenos gestos de todas as pessoas, todos os dias que contam!
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