38. Materiais a Reintegrar na Biosfera
Os edifícios devem contribuir para promover a reutilização e reciclagem de produtos em fim de vida. Por um lado todos os resíduos associados ao processo de construção deverão ser minimizados, o que terá efeitos muito positivos também do ponto de vista económico. Por outro lado, o meio edificado deve dispor de espaços a várias escalas (privada, colectiva e pública) que facilitem aos utilizadores dar o seu melhor contributo para os processos de valorização de resíduos.
Para além de emissões lançadas para a atmosfera e de efluentes líquidos, na cidade o consumo de materiais resulta na produção de resíduos sólidos, que devem ser reduzidos, reutilizados, reciclados e valorizados. Numa sociedade sustentável, todos os materiais que entram na cidade deverão contribuir para o seu crescimento e todos os resíduos devem ser valorizados. Alguma da valorização necessária poderá acontecer à escala local e outra a uma escala mais alargada.
Existem duas fileiras para a valorização de resíduos sólidos – uma é a biosfera e a outra a tecnosfera.
Os resíduos produzidos pelo sector da construção são consideráveis e possuem um enorme potencial de redução, dado que a sua valorização já pode ser integrada nos próprios processos de fabrico. Neste sector existem restrições muito exigentes, com o objectivo de alcançar um ponto em que já não haja resíduos a eliminar, apenas a reutilizar e a reciclar.
Os resíduos a integrar na biosfera são aqueles materiais que são biodegradáveis e que se decompõem para se tornarem nutrientes dos terrenos, os quais por sua vez irão fazer crescer alimentos ou plantas que servem como nutrientes de outros processos úteis.
No sector doméstico são sobretudo relevantes os resíduos que resultam dos produtos alimentares que podem ser integrados na biosfera, se as infra-estruturas o facilitarem e se as pessoas tiverem os comportamentos relevantes. Para que o metabolismo das nossas cidades se torne mais eficiente, é importante que todos contribuam com boas práticas.
A forma como as pessoas dispõem de todos os resíduos sólidos biodegradáveis deve ser a mais adequada para facilitar a respectiva valorização. Por um lado, as pessoas devem ser exigentes na procura, consumir apenas o que lhes é necessário e evitar consumir o que não precisam, devem escolher produtos com um impacto ambiental reduzido. Por outro lado, devem separar os resíduos para que sejam facilmente reutilizados ou reciclados.
A compostagem à escala dos logradouros e dos espaços verdes públicos pode ser uma forma através da qual as cidades contribuem apara a boa integração dos resíduos sólidos orgânicos, sem recorrer à sua queima nem tão pouco ao seu transporte para locais mais distantes.
No meio edificado é relevante que existam pontos de recolha de produtos para reutilização, pontos de recolha de resíduos sólidos biodegradáveis e pontos de recolha de produtos em fim de vida para reciclagem, diferenciando os recicláveis (metal, plástico, vidro e papel e cartão) por fileira de produto.
Tornar prática comum e sistemática a separação de resíduos sólidos domésticos, potenciando a respectiva reciclagem, é um acto de responsabilidade social que parte de cada família e de cada indivíduo.
Quando o sistema de recolha é realizado através de uma infra-estrutura urbana, como uma rede de recolha por vácuo, existem outros benefícios associados, como a redução de ruído no acto da recolha e um grau de higiene mais elevado.
São os padrões de utilização de materiais, que resultam do comportamento das pessoas, que precisam de melhorar consideravelmente. Na gestão do ciclo de materiais nas nossas cidades, o grande desafio são todos os pequenos gestos de todas as pessoas, todos os dias que contam!
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