6. Caixilharia de Qualidade
A caixilharia é o elemento de transição entre as áreas opacas e as respectivas áreas envidraçadas da envolvente de um edifício de habitação. Como tal, e apesar de representar uma proporção relativamente pequena na envolvente, as funções da caixilharia são extremamente importantes para o edifício.
A caixilharia suporta os painéis de vidro duplo que constituem as áreas envidraçadas, tanto na sua posição fechada como nas suas diversas posições abertas, garante a estanquicidade dos espaços interiores, absorve os movimentos díspares (por exemplo, a força do vento) com os seus elementos rígidos distintos e contribui assim para a optimização do desempenho energético-ambiental do edifício.
Para além destas funções essenciais, a caixilharia, conjugada com ferragens de qualidade, poderá tornar mais interessante e diversificar a relação entre o interior e o exterior, potenciando alterações na dimensão e distribuição dos espaços (ver Varandas Flexíveis).
Ao longo da última década, tal como as características técnicas dos vidros, as caixilharias também sofreram uma grande evolução tecnológica. A estanquicidade da caixilharia é uma das evoluções positivas porque permite controlar, de forma eficaz, o intercâmbio de calor e frio entre o interior e o exterior. Mas esta estanquicidade obriga a definir a estratégia da ventilação natural, pelo menos para garantir as renovações de ar, essenciais para a salubridade do ar interior. Com uma caixilharia mais estanque, as renovações de ar essenciais podem ser conseguidas por ventilação natural e, quando esta não é desejada, através de grelhas de ventilação (incorporadas no vão envidraçado) e / ou de uma ventilação mecânica adequada.
Características a ter em consideração na especificação da caixilharia:
> O grau de estanquicidade da caixilharia que obriga a garantir renovações de ar por outra via;
> O material que constitui o caixilho deve ser tão reciclável quanto possível - devendo ser privilegiados os acabamentos mais fáceis de reciclar, como é o caso do alumínio anodizado, face ao termolacado;
> O material que constitui o caixilho deve ter sido, em parte, reciclado - no caso do alumínio, designa-se por alumínio secundário. A proporção do material reciclado incorporado será indicada pelo fornecedor e deverá ser superior a 50%. É também interessante ser informado, por parte do fornecedor, qual a proporção de material reciclado proveniente de prévias aplicações (pelo menos 40% ser alumínio proveniente de demolições) e qual a proporção proveniente do processo de fabrico (até 60% podem ser desperdícios de fabrico).
Embora a caixilharia com corte térmico pareça ter uma qualidade coerente com as medidas de optimização térmica usadas na concepção do edifício, ela deve ser contemplada tendo em atenção o seguinte:
No leque de comportamentos de um edifício em que se aplicaram as medidas da construção sustentável (ou bioclimáticas) há alguns em que, por força da temperatura exterior estar muito mais baixa do que a temperatura no interior (no Inverno, mesmo sem se utilizar o sistema de aquecimento central, há momentos em que podemos falar de um diferencial próximo de 20 graus centígrados), é necessário ter cuidados especiais. A humidade que se encontra suspensa no ar interior, proveniente de se acumularem o efeito evaporativo das actividades humanas com baixas renovações de ar e a temperatura condensar quando atinge superfícies mais frias (neste caso, as caixilharias e os vãos envidraçados, antes das paredes). Nestes momentos de maior contraste de temperatura entre o interior e o exterior, que coincidem com a época do ano em que menos vezes abrimos as janelas, as gotas de água, já condensadas, escorrem pela caixilharia embora possam ser limpas em qualquer momento.
Se utilizarmos uma caixilharia de corte térmico, esta condensação tende a aparecer menos nos caixilhos podendo, no entanto, aparecer noutros pontos com uma temperatura superficial inferior, como o é uma parede estrutural, ou em pontos de difícil visão ou de difícil acesso para limpeza.
CARACTERÍSTICAS A TER EM CONSIDERAÇÃO NA ESPECIFICAÇÃO DAS FERRAGENS
É extremamente importante que, pelo menos uma janela em cada espaço de uma habitação possua um sistema de abertura que permita a ventilação enquanto se está ausente.
Normalmente esta função é conseguida quando são especificadas ferragens oscilo-batentes – permitindo alternadamente que a respectiva janela abra ou bascule. As janelas de correr, com a vantagem de “desaparecerem” para o lado para o qual correm, fazem com que a relação entre interior e exterior seja realizada sem barreiras. Hoje há ferragens para janelas de correr que permitem o movimento basculante para ventilação.
A posição basculante é importante porque permite ventilar os espaços, sem ameaçar a segurança dos mesmos, face a uma tentativa de intrusão.
Em edifícios com mais de um piso, é também importante controlar o acesso a varandas e ao exterior - para o que existem puxadores com chave que permitem vedar a abertura das janelas a crianças, sempre que necessário. Todas as janelas devem facilitar a respectiva limpeza pelo interior e pelo exterior, sem colocar em risco quem a executar.
Afinar janelas é necessário aquando da sua instalação e, por vezes, após alguns anos de utilização.
MANUTENÇÃO
Para facilitar a sua manutenção e limpeza, é importante que todas as janelas permitam a abertura e o acesso a ambas as faces.
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